Mostrando postagens com marcador Análises e ensaios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Análises e ensaios. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

segunda-feira, 11 de junho de 2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

Sobre educação.







Senhores, Senhoritas e Senhoras... Acabo de ler um depoimento de uma ex-colega de trabalho sobre a relação das pessoas envolvidas no processo da educação musical.

Quero aqui expressar algumas perguntas que me saltam a mente e fazer mover o pensamento sobre o CUIDADO que devemos ter ao se dedicar no propósito da educação.


Para educadores e profissionais envolvidos.

1. Estamos preparados para lidar com as mais diversas relações e temperamentos humanos?


2. Qual é o tocante da educação musical? Teoria e técnica? Ou saber humanizar e descobrir o que a pratica tem de reveladora?


3. Educação musical e musica é um reduto? Podemos compartimentá-la? Reduzir a ponto de institucionalizar o imaterial?


4. Estamos a serviço da educação? Ou apenas nos voltamos aos interesses cotidianos e pessoais, exercendo desta forma um desfavor ruidoso e totalmente destruidor para este fim?


Revelo aqui um profundo sentimento sobre a educação e sinto-me mais útil e leve a pensar nos meus propósitos como educador e de certa forma como ser humano na busca da edificação espiritual. Sei que é desafiador o processo e o estudo que envolve a pratica e o ensino da música, porem, a cada dia que passa, o que compete aos valores humanos e as relações que isso gera, tem se tornado a minha principal preocupação. Quero descobrir em que as pessoas confiam a pratica musical, e qual valor pratico que ocorre em nosso tempo – o agora, o hoje. Dentro do prisma cultural de nossa sociedade, o que estamos procurando? Será mesmo a música, ou estamos em processo de resgate e purificação dos valores humanos. Todas as sociedades passaram ou passam por tempos em que a cultura entra em declínio, para se instaurar novos padrões e parâmetros existenciais que normatizam os novos estreitamentos das relações humanas.

Creio que esta discussão seja necessária aos vários redutos em que se pretende ensinar música – se isso é possível.  Diante os vários acontecimentos que pude vivenciar como professor, a aula de música no Brasil está longe de ser algo confortador – precisamos estudar mais sobre o assunto e sobre o que realmente importa numa aula como essa. Pensar sobre uma pedagogia que se aproxime do aprimoramento do pensamento musical - ou você pensa que só você sabe sobre música! Essa desconfiança é nociva à aula de música e inviabiliza as construções possíveis e necessárias ao pensamento musical que é presente em todos. As questões burocráticas ligadas à gestão desses redutos devem ser reduzir somente a logística para não interferir nos processos das atividades da aula de musica e dos professores que lá estão a desenvolvê-las. A EDUCAÇÃO NÃO PODE SER TRATADA COMO UMA EMPRESA, ISSO É UM ERRO PRIMARIO E DEVE SER EVITADO.  Não podemos confundir os processos e as acomodações ligadas à sala de aula, com o ímpeto da gestão em querer promover algo “a toque de caixa”, industrial – pessoas são pessoas, e isso deve ser respeitado acima de qualquer planejamento. Educar é sublime.

Qual é a sua substância, do que você é feito,
para que milhares de sombras estranhas recaiam sobre você?


WILLIAM SHAKESPEARE
Sonnet 53


Obrigado,

pliniopaludetto

www.movimenttomusica.blogspot.com














Foto: Plínio Paludetto.

domingo, 2 de outubro de 2011

Percepção ou o que?

A onde se encontra a percepção?

Em que nível isso se dá?

A percepção é uma ação puramente sensorial? Ou a interpretação da simbologia dos sons pode nos orientar?

Isso pode ser ensinado? Se pode, como fazer?
                                                                      
                                                                            ###

            Perceba!
            Percebeu?
            Na educação musical, a percepção, invariavelmente está calcada em metodologias que propõem o entendimento e a apreensão do ‘signo’ dos sons. A prática, neste contexto, é variável dentro da disciplina, estando muitas vezes subordinada a exercícios ortodoxos que se adéqüe as necessidades do aprendiz. Irreversivelmente, a prática é colocada aos ventos do acaso, onde não raro, encontram-se inúmeras tentativas que nada se aproximam da apreensão do “signo” (estágio puramente lingüístico), e que provocam experiências confusas e rasas nos aprendizes.
            Tentarei elaborar um breve raciocínio em torno deste assunto, pois tenho observado que a percepção ocorre nas mais variadas formas, que os cursos arbitrariamente reduzem a prática à realização de exercícios rígidos, dispondo de pouco tempo e que também eliminam os demais fomentos necessários que contribuiriam positivamente ao entendimento real.  


O verbo e o resultado da ação.
            A palavra percepção é um substantivo feminino que traz na sua tradução algumas indicações presente em escritos filosóficos de Hegel ¹ e Descartes ². Na analise de Hegel e Descartes, pode-se notar uma aproximação da ação e da interpretação do objeto a ser ‘percebido’.
               
Percepção: S.F – apreensão da realidade ou de uma situação objetiva pelo homem. Seu resultado: a percepção das cores. Reação de um sujeito a um estímulo exterior, que se manifesta por fenômenos químicos, neurológicos, ao nível dos órgãos dos sentidos e do sistema nervoso central, e por diversos mecanismos psíquicos tendentes a adaptar esta reação a seu objeto, como a identificação do objeto percebido (ou seu reconhecimento), sua diferenciação por ligação aos outros objetos etc.
            
       Observe na tradução da palavra, que a reação a um estímulo externo, neste caso a música, pode desencadear uma série de sensações diversas no nosso corpo, e que estas sensações são adaptadas por mecanismos psíquicos, que por sua vez, identifica e faz uma ligação a objetos já interpretados outrora. Neste ponto, Hegel e Descartes convergem na construção deste raciocínio, refletindo sobre a sensação que temos ao observar um objeto.

“Como me proponho a tratar aqui do tema da luz, a primeira coisa que gostaria de vos advertir é que pode existir uma diferença entre o sentimento que nós temos da luz, isto é, a idéia que se forma em nossa imaginação mediante o concurso de nossos olhos, e aquilo que está presente no objeto – mais precisamente na chama e no sol – e que produz em nós esse sentimento, para o qual dá-se o nome de luz.”
Descartes, René – O mundo ou o tratado da luz. Capítulo – Da diferença que há entre nossos sentimentos e as coisas que os produzem. (1637)

“Pois na arte temos que ver, não através de um simples jogo agradável ou útil, mas... através de um desdobramento da verdade.                   
Hegel, Georg W. F. – Estética, III.

            Em Descartes, há uma diferença entre o sentimento que se tem no momento da observação, que por sua vez, forma uma idéia diante do que esta sendo observado – e o objeto em si. Na citação de Hegel, a verdade é o ponto inicial para a compreensão da arte, advertindo sobre práticas passivas.
            A Estética é uma palavra de origem grega e é um ramo da filosofia voltado para o estudo da natureza do belo e os fundamentos da arte. O seu significado em latim traz consigo um sinal de que a percepção deve ser estuda considerando outros aspectos que envolvem a arte.


Estética – Percepção – Arte
                                               |
                                        Aisthesis
                                               |
                                         Sensação

            Estética vem do latim Aisthesis, que significa sensação.
           
###
            Caminhos e reflexões

            Assim como já mencionado no início do texto, a percepção se revela nas mais variadas formas. O ouvido absoluto é uma discussão sem precedentes, pois, não se sabe se nascemos ou se podemos adquirir através do treinamento do ouvido interno. Isso não muda em nada a reflexão sobre o assunto, essa questão sempre irá pairar sob nossas cabeças – Agora! Explique como uma criança de tenra idade percebe acordes inteiros, sem compreender as leis da harmonia e da estética? Ou, como um músico leigo em relação aos ditos eruditos em muitas vezes são mais sensíveis aos sons?
            Algumas questões parecem incomodar, justamente por tornar o assunto muito complexo e interminável. O ser humano tem o comportamento de reduzir as coisas e isso por vezes acaba extinguindo alguns caminhos preciosos para uma devida compreensão do objeto. Nos cursos superiores de música, esta disciplina é desenvolvida de maneira muito racional e compartimentada em níveis pouco compreensíveis e progressivos. Se a idéia da interpretação de nossas impressões é um caminho evidentemente confiável, qual motivo me leva a crer que a repetição de exercícios intervalares e rítmicos pode acrescer algo na minha percepção e na construção do ouvido interno? Há em muitas salas de aula uma enorme discrepância entre alunos que já possuem um nível de percepção brilhante, diante outros que passam toda a disciplina sem nada aprenderem. Isso é culpa dos alunos? Ou será uma má elaboração e aplicação dessa disciplina? Afinal, todos estão lá para aprenderem a se sensibilizar diante aquilo que se escuta! Alguém tem duvida sobre isso?
            Se o desdobramento através da verdade proposto por Hegel for o caminho a percepção mais ligada a sensibilidade, deveremos considerar que somente a impressão das coisas não será suficiente, visto que estamos ligados aos mecanismos psíquicos da mente – todavia, a música é algo que está em movimento, pensar em uma aula que busque a simplicidade do movimento e uma aplicabilidade que considere mais do que exercícios ao piano, será possível criar uma nova imagem que dê pistas a essa construção interna da percepção e para desvendarmos essa verdade.
Criemos novos caminhos!

Obrigado

plíniopaludetto





domingo, 8 de maio de 2011

Afinal, quem está no poder?

Fique somente por um dia sem: - apostar na loteria, abastecer seu transporte, assistir Globo, sem fazer uma transação bancaria, sem assistir os jogos no estádio, sem gastar no comercio, etc... Claro que com articulação e uma questão de cada vez. O CaOs já existe...
O que temos que fazer esta a frente disso... Pode ser muito pior! Mas garanto que mudaram os nossos dias. SOMOS A MAQUINA...
NÓS QUE ESTAMOS NO PODER! ORDEM, ARTICULAÇÃO E POSTURA PODEM QUEBRAR A BANCA. A morte se tornou no cotidiano, algo inofensivo e não mais nos escancara as vistas para o real. SE ALGO PODE SER FEITO, TEMOS QUE REALIZAR. PARTICIPE ATIVAMENTE PROPAGANDO ESTE PENSAMENTO!!!!     
AOS MUITOS OUTROS BRASILEIROS QUE CONSTROEM TODOS OS DIAS ESSE BLOG (Twitter) "A BANCA É NOSSA - SOMOS A MAQUINA E PODEMOS MUDAR!
obrigado
plíniopaludetto

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Liberdade



 Liberdade


   Fig. 1

Existe liberdade na forma pura?
O quanto ruidosa é a sua liberdade? O quanto custa para você?
A sua liberdade é movida por qual sentimento?

Estamos expostos todos os dias a conteúdos que nos promete a liberdade em suas mais variadas formas. Para muitos pensadores, a liberdade está calcada em princípios que organizam uma condição mínima do ato livre possível. Nota-se em alguns pensamentos filosóficos um ajustamento entre | liberdade e Meio |:



“... age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas em escolha. Quanto mais claramente uma alternativa apareça como a verdadeira, mais facilmente se escolhe essa alternativa.”


Descartes, René


“... ser livre é ser autônomo, isto, é dar a si mesmo as regras a serem seguidas racionalmente. Todos entendem, mas nenhum homem sabe explicar.”


Kant, Immanuel

Se considerarmos estes posicionamentos, a figuração do conceito “liberdade” seria:
                                                                   
Esclarecimento
      
          
         Liberdade
                                                           
       Autonomia                                                                       Vontade
                                                                                                            
                    Fig. 2
                    
                     Será um ato livre, o homem depender de um meio ou condição para atingir ou contemplar a liberdade?
                O ato de ligar a televisão para assistir algo, mesmo que por vontade própria, não assegura a liberdade de fazê-lo. A vontade em si, está ligada a um sistema que o sugere a vontade de ligar a TV para assistir um determinado programa. Sendo assim, será mesmo o homem livre, aquele que desfruta de autonomia, vontade ou esclarecimento?
                Da mesma forma, o homem pode ser livre sem depender do meio?
                Para Schopenhauer e Sartre, a liberdade é a fantasia da causa da ação humana estritamente vinculada à vontade:
               
                   

“... O homem, objeto entre objetos, coisa entre coisas, não possui liberdade de ação porque não é livre para deliberar sobre sua vontade. O homem não escolhe o que deseja, o que quer. Logo, não é livre - é absolutamente determinado a agir segundo sua vontade particular, objetivação da vontade metafísica por trás de todos os eventos naturais. O que parece deliberação é uma ilusão ocasionada pela mera consciência sobre os próprios desejos.”


Schopenhauer, Arthur
                                                                         
                                      
                                  Liberdade             |                         Ação                   |                   Meio

                                                                                                            

                                                                                            Fig. 3
          
           -----------------------------------------------------------        
                  Pode ser um homem livre aquele que vive em sociedade?
                  Proponho esta reflexão, por achar necessário abrir os olhos diante as seduções das (i)realidades a que estamos expostos diariamente. O homem trabalha e produz coisas, para que, estas coisas os sustentem e os façam mais felizes e assim mais libertos. Penso que as coisas preciosas para a sustentação da vida humana já nascem antes de existirmos ao mundo, não sendo possível de serem adquiridas por meios materiais. Nenhuma moeda de troca tem valor diante a própria vida e a de seus semelhantes. Ao fazer um seguro de vida ou pagar um bom plano de saúde, compramos algo que nos fará pensar que estamos seguros de imprevistos. Contudo, o homem confirma a instabilidade diante a própria vida e passa a cada ato, a ser mais objeto do meio (sistema).
                  A razão não está em não se adquirir coisas ou de não participar de uma sociedade, mas sim, se permitir existir plenamente em direção ao real. Penso que a liberdade não pertence a este mundo, porem, nós humanos participamos de um mundo que nos força a entendê-lo de maneira coletiva – um exemplo disso, é a crescente forma de interação por redes de relacionamento ou mesmo a internet. Estamos a cada dia mais presos ao mundo e suas regras, caminhando severamente para um cenário de dor. Ao comprar um bem, o homem, por vezes, se apodera da ambição, do orgulho e participa de forma egoísta no seu cotidiano. Há agora um paradigma entre a expansão das redes de relacionamento virtual, e o consumo de artefatos de segurança em nossas casas, em virtude do medo coletivo urbano.
                  Creio que só o fato de se fazer necessário organizar este texto, não me faz mais livre. À vontade me leva a escrever, e só isso já me compromete.
                  Viva precisando do mínimo, e se esforce para isso – não quero propor soluções, afinal estamos refletindo. Pense sobre as questões levantadas no inicio do artigo e na (fig. 1).

Obrigado

Plínio Paludetto

sábado, 2 de outubro de 2010

As luzes se apagam e a platéia desperta para um novo transe. O artista se senta ao seu instrumento e estão todos nesse momento suspensos pela atmosfera gélida do teatro. Sabe quando jogamos um objeto para cima e no momento em que ele se move para cima é como se tudo fosse parando... E num instante ínfimo do movimento, quando atinge o ponto máximo do ímpeto ascendente, tudo ao redor é transportado para outra perspectiva de tempo. Não diria de forma alguma que tudo pára, pois acho inteiramente o oposto, é como se tudo estivesse em perfeito estado de movimento. Exatamente ai, é que começa o concerto.
As vibrações mentais vão se amontoando aos sons produzidos pelas cordas e as expressões corporais nos revelam um misto de sentimentos de jubilo e desconforto. Aparentemente todos num concerto apreciam a música, no entanto, creio que isso seja só uma aparência, considerando que alguns estão lá por motivos de resgate e não por contemplação. Nem mesmo o artista está assegurado desta condição, é bem possível que tudo ocorra como um inteiro sacrifício em direção ao entendimento ou salvação.
Em meio à cena, o teatro parece se mover em direções opostas, o artista flutua e irradia os acordes no ponto mais alto de sua conexão com a música, enquanto na platéia, notam-se uns honrados e outros a beira da fuga. Penso que num concerto tradicional e nos moldes europeus, o repertorio poderia ser interrompido na metade ou ate mesmo nem ter começado, visto que as pessoas se sentiriam muito mais felizes se fossem convidadas ao centro da apresentação. Afinal, centro é uma palavra engraçada! Sempre me faz pensar em submissão. Gostaria de pensar em algo unificador e que envolvesse a todos sem demais concessões.
Os sons que antes eram flutuantes agora começam a não passar de um palmo. O artista volta a sentir o chão, as pessoas voltam a senti-lo e os corações voltam a bater aliviados. As notas em contraponto palestrino anunciam a cadencia final da cerimônia, regressando para o ponto inicial em que a atmosfera é pura e paira como um beija-flor sob as cabeças. É neste pequenino instante em que nós podemos sentir o próprio peso e levantar rapidamente para dar os devidos cumprimentos ao artista. O concerto acaba!
Mesmo sem ouvir absolutamente nada que se manifestasse no âmbito do audível, a platéia de surdos se levanta e caminha alegremente para vossas casas, desejando um próximo encontro.
Muzak, muzak, muzak!


Obrigado

Plínio Paludetto

Titulo do texto: Música quando é música.     

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Resposta ao texto - Apoio cultural.

Primeiramente gostaria de expressar a honra de contribuir com esta reflexão e agradecer o autor deste texto por assim pensar e nos fazer mover a frente!

Acerca do assunto aqui tratado, acredito ser elementar e essencial para entendermos os caminhos e convenções que nos envolve a todo instante.
A começar pelo principio de que o espírito é a priori de todas as outras coisas precedentes, entendo que o individuo deve primeiro procurar a luz para então receber o seu pedaço de pão.

A cultura e o seu valor não pode ser domínio de alguns poucos que se julgam pertencentes a ela. Assim como você mesmo relatou, essa cultura está no tocante de muitas coisas e existe simultaneamente como figurações múltiplas de uma sociedade igualmente múltipla. Sendo assim, penso que esse artista não está sozinho em seu meio e que esse artista não entende o meio em que está vinculado, portanto, não estabelecendo o dialogo com seus semelhantes. Se assim fosse, o valor apareceria como uma rosa que desabrocha no jardim, sem que tenhamos que nos rastejar por migalhas de pão.

Quero aqui deixar a impressão que tenho das secretarias de cultura, conservatórios, academias de musica, ONGs e demais entidades que tenham a música e as artes como atividade.
A música é um dos caminhos para o crescimento do espírito e nela irradia a luz pertencente ao mundo maior. O envolvimento com essa prática coloca o homem numa postura de responsabilidade, o tornando igualmente responsável pelas suas atitudes. Sei que é assim em todas as praticas, porem, quero enfatizar a invigilância de muitos que se aproximam de forma ilícita no cumprimento de suas atribuições e que buscam se esconder e confortar suas mentes entorpecidas na figura de educadores, secretários, artistas, acreditando num ajustamento licito.
A natureza sempre está em harmonia! Exerça o seu papel dignamente e não esqueça de que tudo está aos olhos superiores. Há muitas pessoas que lidam com a música de forma passiva e acreditando sempre que está colaborando positivamente para o crescimento das pessoas ou de sua comunidade. Isso não é real.  O comprometimento como uma força que atua diretamente sobre nós, cumpre o papel de nos fazer justiça, como alguém que comete um pecado. Então se tudo isso ocorre, creio que seja reflexo direto desse acordo estabelecido entre a sociedade.
Estou profundamente agradecido por este momento e pelo espaço neutro para expor minhas idéias. Muito obrigado amigo Nola por ser presente em nossas vidas.

Vou indo amigos ...

Plínio Paludetto

Texto de referência: http://movimenttomusica.blogspot.com.br/2010/09/apoio-cultura-texto-de-nola-pompeo.html

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Apoio cultural - texto de Nola Pompeo




Olá a todos,
 
recebi este email pela Kétlen.
 
Como é um tema que tem me acompanhado há algum tempo e como faço parte de uma comunidade (Música e Escola de Música da UFMS) junto com vocês todos, gostaria de fomentar um pouco as reflexões.
 
Conheço todas as pessoas que estão no vídeo, e com exceção do Sr. que se chama Profeta, conheço pessoalmente e profissionalmente. Por profissionalmente quero dizer que estive trabalhando com eles por algum tempo. Com alguns, por anos.
 
Baseado nessa experiência, que começou em 1997, cheguei à conclusão na atualidade que a lei de incentivo à cultura não é um caminho interessante.
 
Coloquei um recado no vídeo no You Tube que já quer dizer algumas coisas.
 
1) As pessoas dizem que a cultura no estado é precária e que não é valorizada. Assim surgem as primeiras questões. O que é cultura? Qual é o seu valor?
Noto que há sim uma cultura e que ela é sim valorizada. Quando comemos uma determinada comida, tomamos tereré, cantamos música sertaneja, nos vestimos de tal maneira, construimos nossas casas com determinada forma, etc. isso tudo está inserido no contexto da cultura. E esse contexto está profundamente ligado aos meios de produção do local. Ou seja, a cultura em nosso estado está atrelada à produção do campo.
Assim, a cultura que tem algum valor é aquela que se relaciona ao campo. Lembremos que o incentivo do governo vem dos setores produtivos, e o setor produtivo em nosso estado vem da agropecuária. Dessa maneira, acho natural que a cultura que alguns artistas divulgam seja desvalorizada em nosso estado. Realmente não tem valor nesse contexto.
Mas à revelia dessa evidencia, queremos fazer todo mundo engolir aquilo que achamos que é cultura. Para mim é muito natural que nenhum teatro encha, que o valor dos ingressos nunca seja o adequado. Ora, se somos estrangeiros em terra p ovoada, devemos pedir licença para entrar. Mas não é assim que anunciamos nossos chamados valores culturais.
Convictos de que nós é que estamos certos, seguimos bradando contra esses "bárbaros, incivilizados, não cultos" uma cultura alienígena ao processo cultural da região, que é baseado na cultura do campo.
 
2) Por que então o Governo, entidade pública, deve financiar, sustentar uma empresa falida e deslocada?
 
3) Se a cultura é algo tão valioso e tão importante, por que as empresas não investem em cultura a partir de seu próprio caixa? Por que usam do dinheiro público para isso?
 
4) Se vou abrir uma empresa e recebo dinheiro, isso usualmente é um empréstimo. Por que a empresa cultural, um grupo de teatro, por exemplo, não tem que devolver o dinheiro público que toma "emprestado"?
 
É fácil discorrer sobre a importância de meu produto cultural em uma terra que poucos têm como entender a arte. Que m é que consegue, mesmo entre nós, ouvir um concerto e compreender o que está acontecendo? Ou então, assistir a uma peça de teatro e perceber o que está acontecendo? Como então o bem cultural pode ser valorado?
E a resposta é: ninguém paga pelos ingressos, ninguém contrata essas empresas de forma digna.
Porque não presto contas ao consumidor, mas a alguns poucos entendidos (e talvez não tão entendidos) funcionários do governo (talvez artistas frustados...?). Assim fica bem fácil, não acham?
 
Ou seja, posso fazer o que quiser, de certa forma, e isso será valorado. Bem, de certa forma, justiça é feita quando uma parcela ínfima da população aparece para consumir o produto, se é que realmente aparece. Em minha experiência com teatro, nunca vi o público aumentar. A comentada "formação de platéia". A platéia não vai ao teatro. O público é composto em sua grande maioria por amigos dos artistas, familiares, outros artistas, apr endizes de artistas, mas não da população geral. Salvo situação em que uma pressão é exercida com investimento de muita energia do Governo, como nos casos de shows com artistas em voga na mídia, ou então quando a presença é popularesca (festivais) ou está condicionada a algum benefício extra-artístico. Lógico que estou sendo generalista, mas não parece que existe algum sentido aqui?
 
5) Dizem que cultura está no mesmo nível de prioridade que saúde e educação. Absolutamente não concordo. A cultura está vinculada a aqueles. É decorrente. Se a cultura (como a entendemos, especialmente no sentido do entretenimento) não acontece é porque as pessoas não comem, não estão sadias e especialmente, não tiveram um processo de educação decente, em todos os sentidos, familiar, escolar, social, comunitário, filosófico, religioso, político, etc.
 
Pensem, se a educação cumprir seu papel, provavelmente o agente cultural se instalar á em todas as pontas: o artista, os meios, o público. Um público que não passou pela educação não tem como compreender os signos culturais, e tampouco os artísticos. E mesmo nós artistas, com frequência somos público também.
 
6) As pessoas tendem a compreender a política de uma forma a atender seus interesses imediatos.
Não votem em determinado candidato só porque ele quer atender a seus interesses. Os deveres do Governo, em nosso caso, vão muito além da cultura. Esforcem-se para compreender isso. Por exemplo, se o setor rural não produzir, a arrecadação diminui e os funcionários públicos não recebem. Isso desestabiliza tudo. Nossa atividade é completamente secundária. Assim, escolham seu candidato observando como ele se comporta com o negócio grande, e depois, com o negócio pequeno. Não se permitam servir de massa de manobra. Sejam bem criteriosos com relação a isso.
 
7) É evidente como o resto da sociedade não dá valor a artistas. Em minha experiência, cheguei à conclusão que grande parte desse comportamento se deve a nós mesmos. Não temos postura.
Mesmo na universidade, qual de nós estuda de maneira contundente, organizada? Qual de nós produz? Qual de nós faz justiça ao professor que tem diante de si? Qual de nós limpa a sala, organiza as carteiras, zela pelo bem público?
Não sei como está agora, mas em minha época era muito comum ninguém estudar as coisas. Nosso dever é estudar. Produzir. Quantas pesquisas estão em andamento fomentadas pelos alunos? Quantos projetos de extensão os senhores desenvolveram no último ano? Que retorno têm dado ao esforço da comunidade para que estivessem na escola neste momento?
 
Vocês acham que isso será esquecido mais tarde? Saberemos a resposta quando formos vender nosso produto. Quando tivermos que aceitar um ingresso no teatro custar 5, 10 reais e ainda assim ver pessoas reclamando do valor, ou então ver mais cadeiras vazias do que cheias, etc.
 
O que sinto é que devemos o quanto antes nos tornar referência em ética, conhecimento e produtividade dentro de nossa comunidade. Isso sim contribuirá para formação de valor de uma maneira sólida.
 
Com essa minha lógica, podem entender que eu deva ser perfeito, mas absolutamente não sou. No entanto, isso não me impede de observar e refletir. Entendo que na verdade quanto mais percebo minhas falhas, mais devo me corrigir.
 
O governo tem questões bem mais primárias para resolver: saúde, educação, corrupção, transporte, alimentos, etc. Gostaria que nós fôssemos uma solução e não mais uma preocupação na pauta dessas pessoas.
 
8) Acredito em uma sociedade de deveres. Quando há muitas pessoas clamando seus direitos, é muito mal sinal. Entendo que quando os deveres são cumpridos voluntariamente, naturalmente os direitos se estabelecem, mas não consigo imaginar q ue o contrário seja verdade.
 
Gostaria que as pessoas quando entram no prédio do curso de Música da UFMS, que elas sentissem honra só de por o pé para dentro. Gostaria muito que fosse assim. Que qualquer discurso fosse insignificante diante desse fato. Gostaria que o valor de nossa ação não fosse medido pela ação da política partidária e do assistencialismo do Governo. Somos mais que isso, muito mais que isso.
 
Estou sendo bem sintético nesse texto. Espero que possamos refletir juntos. Por favor se manifestem.
 
Estejam em paz. Muito obrigado!
 
Nola Pompeo.
www.nola.mus.br


Reflexões

(...) A arte é algo que está em vida, ou seja, algo que irradia uma vibração, uma presença. (...)
Luís Otávio Burnier
Lume